Alguém... Quem?


Alguém... Quem?


Uma bailarina, que dança exibindo sua forma.
Um sonho não alcançado.
Uma verdade não ouvida.
Uma mentira e o andar descalço.

A vida passando entre os dedos.
A busca por alguém.
Alguém que não sei quem sou.
Se não sei quem sou, como buscar?

Os sentidos que ficam lentos.
Os sentimentos que se desfasem.
O medo que toma conta,
da bailarina hesitante.

O semblante triste.
A tristeza profunda.
Que ninguém sente nem vê.
Será que só eu?

A infelicidade da felicidade mal resolvida.
A dor. O suspiro. O nó descendo a garganta.
Quantas fases a lua tem?
Será que sou lua?

A busca de um tempo que não pode voltar.
A revolta do tempo que ficou.
A vontade de voltar no tempo.
Me dá mais tempo?

Sonho de estar sozinha. De ficar sozinha.
Sonho de ser feliz.
Sonho de mudar o outro.
Pura estupidez.

E os outros que machucam.
Que ferem. Que fingem. Que não amam.
Ó Deus, livrai-me disso!
Não aguento mais ficar sem saber se sou alguém. Quem?


Comentários

  1. Gostei de conhecer o seu espaço. A sua poesia revela muita emoção. Foi bom passar por aqui. Voltarei. Bela imagem!
    É bom questionar quem somos...

    Beijinho

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  2. Alessandra
    Belo, intenso e intrigante poema. Lembrou-me Otelo, de Shakespeare. Lembrou-me uma personagem de Fabian Saint’Clair no livro “Rest plus un moment”. Há ao menos doze inquietações de alma, que nos fazem refletir nos significados da vida, o que o torna um poema profundamente filosófico.
    Observei a questão: “A busca por alguém. / Alguém que não sei quem sou. / Se não sei quem sou, o que busco?” Se me perdoa a intromissão, aqui, talvez, no lugar de “o que busco?” devesse ser “como buscar?” ou “como me achar?”. Do jeito que está, a resposta evidente para “Se não sei quem sou, o que busco?” é “saber!” Mas a questão é que não estou conseguindo saber, então minha melhor pergunta seria “como?”.
    Um abraço carinhoso,
    Marcelo Bandeira

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